
CAIXA Cultural Brasília apresenta a exposição de Frans Krajcberg que transforma a devastação ambiental em arte
Com entrada gratuita, mostra reúne 56 obras, entre esculturas, relevos, gravuras e outros trabalhos do artista que fez da defesa da natureza uma das marcas de sua trajetória
Troncos carbonizados, raízes, galhos e outros elementos da natureza ganham novas formas nas mãos de Frans Krajcberg (1921–2017), artista que transformou a destruição ambiental em matéria-prima para sua criação e em um contundente instrumento de denúncia. Esse universo poderá ser conhecido na exposição Frans Krajcberg – Uma Semântica da Devastação, que chega à CAIXA Cultural Brasília em 10 de novembro, com abertura às 19h, e permanece em cartaz até 10 de janeiro de 2027. Com curadoria de Alejandra Muñoz, a mostra reúne 56 obras e 111 fotografias, apresentando diferentes momentos da produção e da trajetória do artista, cuja obra permanece especialmente atual diante dos desafios ambientais contemporâneos. A entrada é gratuita, e a exposição conta com recursos de acessibilidade, incluindo audiodescrição e materiais em braile.
A programação de abertura inclui uma visita mediada com a curadora Alejandra Muñoz, no dia 10 de novembro. E no dia 11, o público poderá participar de outras duas visitas mediadas, às 9h30 e às 14h, ampliando a oportunidade de conhecer as obras e os temas abordados pela exposição.
Com realização e produção da VIA PRESS Comunicação, a exposição apresenta obras do acervo do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC), unidade vinculada à Secretaria de Cultura do Estado da Bahia (SecultBA). O conjunto integra o legado de Frans Krajcberg, que, em 2009, decidiu doar ao Governo da Bahia seu acervo em Nova Viçosa, formado por mais de mil peças de diferentes linguagens e técnicas. Desde então, o IPAC desenvolve um trabalho de catalogação, conservação e preservação desse patrimônio, contribuindo para manter viva a produção do artista e ampliar o acesso público à sua obra.
“Esta exposição é mais uma forma de celebrar a obra de Krajcberg e reafirmar o compromisso do IPAC com a preservação de seu acervo. A mostra convida o público a mergulhar no universo de um artista cuja trajetória se confunde com seu ativismo em defesa do meio ambiente, uma questão tão atual e fundamental para nossa sobrevivência”, afirma Marcelo Lemos, diretor-geral do IPAC.
Nascido na Polônia e naturalizado brasileiro, Krajcberg construiu uma trajetória singular nas artes visuais ao incorporar à sua produção materiais encontrados em áreas atingidas por queimadas e desmatamento. Em vez de apenas representar a natureza, passou a trabalhar diretamente com seus vestígios, criando esculturas e relevos que evidenciam tanto a força das formas naturais quanto as marcas da ação humana sobre o meio ambiente.
A exposição apresenta obras realizadas com madeira, raízes, cipós, cascas de árvores, pigmentos naturais e técnicas de carbonização, além de gravuras e trabalhos sobre papel. O conjunto permite acompanhar diferentes caminhos de sua pesquisa artística, desde experiências com desenho e gravura até esculturas de grandes dimensões, nas quais os materiais naturais assumem presença marcante no espaço expositivo.
Mais do que reunir trabalhos de um dos nomes importantes da arte brasileira, Uma Semântica da Devastação convida o público a observar como a natureza se tornou, para Krajcberg, linguagem, inspiração e causa. Suas obras não se limitam à beleza das formas orgânicas: carregam também um posicionamento diante da destruição das florestas e da relação da sociedade com o planeta.
“A exposição revela como Frans Krajcberg transformou sua indignação diante da destruição ambiental em uma linguagem artística profundamente original. Ao reunir diferentes momentos de sua produção, buscamos mostrar que sua obra não fala apenas da natureza, mas também da responsabilidade humana sobre o futuro do planeta”, afirma Alejandra Muñoz, curadora da mostra.
Um legado que permanece atual
A exposição em Brasília oferece ao público a oportunidade de conhecer diferentes aspectos da produção de Krajcberg e refletir sobre questões que atravessam sua trajetória. Em um momento em que as consequências das mudanças climáticas, das queimadas e do desmatamento permanecem no centro do debate público, suas obras ganham novas possibilidades de leitura.
Ao transformar elementos da natureza em esculturas, relevos e outras criações, Krajcberg construiu uma linguagem artística própria, capaz de despertar admiração e, ao mesmo tempo, provocar inquietação. Seu trabalho reafirma o papel da arte como espaço de reflexão sobre o mundo e sobre a responsabilidade humana diante de sua preservação.
Da experiência da guerra à defesa da natureza
A história pessoal de Frans Krajcberg ajuda a compreender a intensidade de sua produção. Judeu, ele perdeu grande parte da família durante o Holocausto e chegou ao Brasil em 1948, após a Segunda Guerra Mundial. Ao longo de sua trajetória, encontrou na natureza um espaço de reconstrução pessoal e artística, estabelecendo com ela uma relação que se tornaria central em sua obra.
Depois de viver em diferentes regiões do Brasil, fixou-se em Nova Viçosa, no sul da Bahia, onde desenvolveu parte significativa de sua produção. Suas viagens pela Amazônia e o contato com áreas devastadas por queimadas e desmatamento aprofundaram seu compromisso com a preservação ambiental.
Foi nesse contexto que troncos, raízes e madeiras carbonizadas passaram a ocupar lugar de destaque em seu trabalho. Ao recolher e transformar esses materiais, Krajcberg deu visibilidade às consequências da destruição das florestas, aproximando a criação artística de uma atuação permanente em defesa da natureza.
A dimensão ambiental de sua trajetória também se expressa em sua participação no Manifesto do Rio Negro, elaborado em 1978 pelo crítico francês Pierre Restany, durante uma expedição à Amazônia com Krajcberg e o artista Sepp Baendereck. O documento tornou-se uma referência na discussão sobre a relação entre arte, natureza e consciência ecológica.
SERVIÇO
Exposição: Frans Krajcberg – Uma Semântica da Devastação
Abertura: 10 de novembro de 2026, às 19h
Período: 10 de novembro de 2026 a 10 de janeiro de 2027
Local: CAIXA Cultural Brasília — SBS, Quadra 4, Lotes 3/4, Asa Sul
Visitação: terça-feira a domingo, das 9h às 21h
Visitas mediadas: 10 de novembro, com a curadora Alejandra Muñoz, durante a abertura e 11 de novembro, às 9h30 e às 14h.
Acessibilidade: áudio descrição e braille
Entrada: gratuita
Classificação indicativa: livre
Curadoria: Alejandra Muñoz
Produção: VIA PRESS Comunicação
Acervo: Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (IPAC) — Governo do Estado da Bahia
Informações: www.caixacultural.gov.br | @caixaculturalbrasilia


