Sobre o querer maternar

21 de Fevereiro de 2019

A maternidade pra mim sempre foi um sonho mas caminhou ao lado de tantos outros, até que chegou a hora! Qual a hora perfeita para engravidar? Se esperarmos o momento ideal para nos tornarmos mães, nunca seremos. Porque por trás desse pensamento há uma exigência sobre nós mesmas de que sejamos mães perfeitas. E por mais que nos dediquemos muito, perfeitas não seremos.
.
A maternidade se revelou para mim um espaço de encontro comigo mesma que jamais nenhum outro desafio me mostrou. Um contato com um lado de mim mesma, tão importante, jamais acessado. A crença de que meninas tem que ser fortes para vencer na vida havia feito de mim uma mulher cujo acesso ao emocional era distante e aparentemente desnecessário.
.
Eis que surge a maternidade e eu sou tomada por um turbilhão de sentimentos que me levam a ficar perdida dentro de mim mesma. Nasce um amor sem limites que cresce a cada dia por um ser que precisa 100% de toda a minha proteção, mas que já chega desafiando a minha capacidade de honrar tudo aquilo.
.
Isso porque ninguém havia me contado que muito além das dores do parto, existe as dores da amamentação, que pra mim foram maiores e mais demoradas. Que existe uma pressão gigantesca sobre a mãe e sobre o bebê para que ele ganhe peso rapidamente. Que bebês choram dia e noite e nos deixam com uma privação de sono que pode nos levar a uma exaustão sem tamanho. Que um sentimento de insegurança nos invade transformando toda a nossa auto estima em um poço de dúvidas sem fim. Que apesar de todo o cansaço e insegurança temos que estar plenas e descansadas para conseguirmos produzir leite, para recebermos as visitas e para muitas vezes darmos conta dos outros filhos, do marido, da casa, da sociedade.
.
Ninguém nos conta que o turbilhão hormonal do pós-parto nos leva a reflexões tão profundas e a sentimentos tão intensos que achamos que o nosso mundo acabou e que essa situação nunca vai acabar. Eis que na verdade não estamos sozinhas e a nossa rede de apoio começa a nos fazer enxergar que ao fundo do poço de inseguranças existe uma luz que podemos alcançar. Há outras milhares de mulheres que já passaram por tudo isso e que podem compartilhar conosco empatias e sororidades que mudam a nossa vida.
.
Há grupos de apoio e redes de informação de qualidade que nos explicam como enfrentar as dificuldades na amamentação, as noites sem dormir dos bebês, as dores que sentimos por eles a cada vacina ou a cada dia quando adoecem, como lidar com os desgastes emocionais gerados na introdução alimentar, como lidar com o aperto em nosso coração quando voltamos a trabalhar, com o mundo das creches e escolinhas, com a fase da adolescência dos bebês, aos dois anos, com desafio de conciliar os diferentes papéis que desempenhamos na vida.
.
Esses e tantos outros temas foram tão especiais em minha travessia materna que eu quero abordá-los um por um nesta coluna. Faço um convite a vocês para compartilharmos as nossas experiências nesse espaço, e juntos buscarmos tornar essa travessia a mais suave e transformadora jornada de nossas vidas.

Deixe um Comentário