Para que arte, se seu filho é geração Alpha? Para que escrever, se ele faz parte da era tecnológica?

19 de julho de 2019

Na era da informação e da geração Alpha, certamente você já deve ter se questionado quanto ao que fazer e em o que investir para preparar seu filho, a um futuro com tantas demandas e numerosas incertezas. Das poucas certezas, a convicção do dever de impulsionar as habilidades do futuro em seu filho e o paradigma de investir em seu pleno desenvolvimento em todas as suas dimensões (física, afetiva, social, intelectual/cognitivo, psíquico/mental, espiritual, moral e profissional). Pois é! Com base nisto, então vamos lá!

 

Você sabia que a arte é essencial para a formação e o pleno desenvolvimento do seu filho e que o excesso de tecnologia tem prejudicado sua inteligência e desenvolvimento cerebral?

 

Nesta matéria discorrerei sobre uma habilidade artística (no universo de tantas) e apresentarei dados, que fará você repensar com cautela, sobre a rotina e escolhas relacionadas ao futuro que você tem nutrido para o seu filho.

 

Para dar início, uma pergunta: Você estimula seu filho à arte de escrever?

 

Descobrir potencialidades, promover autonomia, estabelecer conexões cerebrais, propiciar comunicação e socialização, desenvolver o foco, reduzir ansiedade e crises nervosas, reforça bons comportamentos, estimular relações, adquirir conhecimento e criar vínculos, são alguns dos diversos benefícios que ela pode proporcionar.

 

Antes de ela ser uma prática rústica ou uma tendência artística contemporânea, a escrita é uma prática primitiva essencial para promover o desenvolvimento integral humano em suas múltiplas vertentes. É mais que simples concepção de composição estética e anatômica de uma letra ou código e símbolo linguístico. Caligrafia não é apenas uma habilidade motora bem ou mal apresentável, ela é propulsora de desempenhos, habilidades, inteligências e competências.

 

A neurocientista cognitiva Karin James, da Universidade de Bloomington, nos Estados Unidos, estudou a importância da escrita à mão para o desenvolvimento do cérebro infantil e submeteu um grupo delas (não alfabetizadas) a análise com ressonância magnética, para analisar quais áreas do cérebro eram ativadas e, assim, tentar entender como o cérebro muda, enquanto as crianças se familiarizavam com as letras do alfabeto. Com base nesta análise, identificou que as crianças que foram submetidas a produzir ou copiar letras à mão livre, mostraram padrões de ativação do cérebro parecidos com os de pessoas alfabetizadas (que conseguem ler e escrever). Além disto, Karin observou também, que a atividade no cérebro e o consumo de oxigênio da criança é maior; e que as habilidades motoras e cognitivas destas, são mais sofisticadas do que aquelas que foram submetidas somente a atividades digitadas.

 

Para endossar esta evidência, em um artigo publicado pelo The Journal of Learning Disabilities, pesquisadores notaram que, crianças com ou sem alguma dificuldade de aprendizagem, apresentaram relação na linguagem oral e escrita com a atenção e com o que é chamado de habilidade de “função executiva” (habilidade esta de planejar e executar atividades). De acordo com a Dra Virgínia Berninger, professora de Psicologia Educacional da Universidade de Washington e principal autora do estudo, a evidência demonstra e sugere que “escrever à mão – em específico, formando letras -, envolve a mente, a atenção e as funções neuromusculares, pelo uso das partes motoras do cérebro, do planejamento e controle motor, e da região cerebral que promove a sinapse (conexão) da visão (capacidade de perceber) e a linguagem (fala, leitura e escrita); propondo assim, que os efeitos positivos do ato de formar letras para o estímulo da cognição, são precisos e inquestionáveis.

 

Pensa que as vantagens de estimular a arte escrita acabaram aqui? Não!!! Nenhum avanço tecnológico é capaz de substituir as vantagens que a arte escrita produz, porque a criatividade é algo essencialmente humano. Não é à toa que os intitulados gurus digitais do Vale do Silício e as escolas da região, criam seus filhos sem tela e com muito quadro negro, giz, caderno, lápis e atividades manuais. Nos jardins da infância, o celular é proibido por contrato, uma vez que compreendem que uma tela diante de uma criança pequena, limita suas habilidades motoras, sua tendência a se expandir e sua capacidade de se concentrar. Desta forma, maximiza então a possibilidade de nutrir transtornos como ansiedade, depressão, insônia, pensamentos suicidas, dependências e esterilização da potencialidade de ser criativo. Como bem pontua Murilo Gun em seu e-book “Habilidades do Futuro”, sobre como funciona um cérebro criativo, ele afirma que os rabiscos sempre precedem inovações e que esta é a forma mais criativa de pensar, criar possibilidades, gerar soluções, resignificar situações e materializar objetivos.

 

Como se não bastasse todos estes benefícios, a escrita também tem a sua funcionalidade terapêutica. Uma simples terapia expressiva (quando há o uso das artes criativas como uma forma de terapia), favorece os pacientes a melhorarem sua compreensão de seus problemas; ajuda-os a organizarem as ideias e sentimentos; promove o autoconhecimento e o senso crítico; ativa o inconsciente, subconsciente e consciente; alivia as tensões; auxilia nas tomadas de decisões; ativa a apreciação do belo; promove a autoconfiança, e automaticamente, fortalece as emoções. Se estimulada precocemente, auxilia no combate a problemas como dislexia; disgrafia; disortografia; dispraxia; distúrbios do sistema nervoso central (que afeta diretamente o movimento, como a distonia e o Parkinson); e distúrbios de aprendizagem (como autismo, síndrome de down, déficit de atenção, hiperatividade, TDHA, etc.); bem como na fixação de informações e dados; e no desenvolvimento cerebral infantil.

 

Seu filho tem algum transtorno ou dificuldade que compromete sua aprendizagem e desenvolvimento? É amante e dependente da tecnologia? Tem indisposição ou limitações para escrever? Ou simplesmente não gosta de arte ou nunca foi estimulado? Se você se identificou com alguma destas ponderações, então é a hora de parar tudo e repensar valores, conceitos, práticas, prioridades e escolhas, conscientes de que toda decisão deve produzir uma ação e certamente terá uma conclusão. O futuro é agora! Crie um fim, desenhe sua vida e escreva sua história!

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