O que é de fato a Parentalidade Consciente?

24 de novembro de 2017

O dia a dia de pais, mães, educadores e cuidadores é corrido, cansativo e está longe daquela tão famosa propaganda da margarina. Ao mesmo tempo, quando temos consciência de tudo o que ocorre nesse período, pode ser a mais gratificante fase de toda a nossa vida. Mas que consciência é essa? Como o próprio nome já diz, a parentalidade consciente é a busca constante de atenção plena, de um porquê interno, na hora de gerar, cuidar, brincar e educar os pequenos. Envolve o pensar antes do agir, envolve autenticidade.

Sendo nós mesmos, sem máscaras, aceitando nossas limitações e fazendo as pazes conosco mesmos, ensinamos sobre aceitação. Aceitação gera empatia, permite-nos colocar no lugar do outro, cria conexão. Um excelente começo para uma autoestima saudável, para relações fortalecidas e vínculos adequados. Não é nada fácil, e nos exige atenção constante, desde o início da vida dos nossos filhos. Com a quantidade de tarefas necessárias aos cuidados de um bebê (ou dois, né? ☺) facilmente entramos em modo automático. Podemos amamentar pensando na lista do supermercado, dar banho com a cabeça no arroz que está no fogo, ou mesmo trocar a fralda pensando em um problema do trabalho… Realidade de todos nós: pais, mães, educadores e cuidantes. Falta presença e olho no olho. E aquele ser humaninho, aquela pessoinha incrível que está pronta e ávida por ser descoberta, que veio morar perto de nós para interagir e nos ensinar tanto, às vezes, não é olhada com o cuidado e a curiosidade necessária que permita o nascimento de uma conexão saudável.

A consciência no exercício da parentalidade, então, consiste em primeiro lugar, em nos conectar de verdade com a criança, aceitando-a exatamente como ela é, ou está. Envolve a observação atenta e total aceitação das necessidades infantis (físicas e emocionais), entendendo que os maus comportamentos são apenas reflexos de necessidades não atendidas. É uma forma linda de encarar a paternidade/maternidade, sem julgamentos sobre o passado, tentando não criar muitas expectativas para o futuro. Tendo essa consciência, passamos a nos observar, nos conhecer mais e assumir inteira e total responsabilidade perante as emoções e reações da nossa cria, sem culpa, tendo sempre em mente que fizemos sempre o melhor que poderia ter sido feito em cada momento. As crianças são, sim, um reflexo de nós mesmos, especialmente nos primeiros anos de vida. E enxergar esse espelho talvez seja o mais profundo exercício de autoconhecimento pelo qual iremos passar na vida. Uma oportunidade maravilhosa! Você já percebeu alguma vez seu filho mais agitado quando um adulto da família está passando por algum problema? Ele já teve alguma reação parecida com a sua? É esse tipo de observação que às vezes nos passa despercebida…

As crianças são esponjas, absorvem tudo, toda a energia ao redor. E ter consciência no exercício da função de pai, mãe ou cuidante passa por aí. Observar. Falar menos, ouvir mais. Enxergar os pequenos com um olhar curioso… Entender necessidades. Ouvir com o coração. E muitas vezes nossas respostas estão ali mesmo. No fundo, no fundo, a parentalidade consciente consiste em aprender! Aprender a cuidar de alguém melhor do que cuidamos de nós. E ver beleza na caminhada diária, na busca do equilíbrio entre as necessidades de todos. Sim, claro, nós também temos as nossas necessidades, que não são nem mais nem menos importantes que as das crianças e também precisam ser respeitadas. Esse é um dos pontos principais da parentalidade consciente: o igual valor que se dá às necessidades de adultos e crianças.

Passamos a enxergar a criança como indivíduo, com necessidades tão importantes quanto as nossas. Passamos a colocar cada membro da família lado a lado, afinal, nós adultos apenas chegamos antes a esse planeta, e não somos melhores nem piores que os pequenos! Assim, vamos equilibrando as necessidades de todos, aprendendo o momento certo de falar sim, de falar não, e pensando em cada indivíduo como uma oportunidade de exercitarmos nosso mais profundo respeito e gratidão. Expandimos nossa consciência e nossa percepção de nós mesmos e do outro e seguimos… Fazendo escolhas que nos ajudam a entender nossos valores, nossas intenções pessoais e o que de fato viemos fazer aqui!

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