A importância da afetividade no processo de desenvolvimento da aprendizagem

9 de Março de 2019

Dia a dia, exatamente todo dia, a estrutura do cérebro é mudada através dos acontecimentos, tempo e pensamentos.

Diferente do que o senso comum dissemina, o cérebro é maleável e adaptável. Sua neuroplasticidade contraria qualquer ideia de imutabilidade e rigidez, ou seja, qualquer ideia que sustente a certeza de que o cérebro não muda. Sua flexibilidade e capacidade renovável, viabiliza-nos condicionar nosso cérebro a atividades mentais (que são ativadas pelas ações neurais) que nos favorecem:

  • nas funcionalidades do cérebro;
  • nas adaptações sociais e morais;
  • na melhora da memória e da autoconfiança;
  • na ativação de inteligências, competências e habilidades;
  • na estrutura saudável da matéria cerebral;
  • na saúde em todas as dimensões do indivíduo (afinal, 75 a 98% das doenças físicas e mentais têm sua origem na vida mental de uma pessoa);
  • no surgimento de novas células nervosas e ativação do genes;
  • na reconfiguração de nosso DNA; e
  • no processamento da aprendizagem.

Como bem pontua a neurocientista cognitiva, Dra. Caroline Leaf,  em seu livro “Ative seu cérebro”, nossos pensamentos, com seus sentimentos e afetos embutidos, ativam e desativam conjuntos de genes em conexões complexas, que produzem comportamentos, palavras, estímulos, escolhas, ações, reações, saberes e a própria arquitetura cerebral.

Considerando todos estes fatores, nesta edição apresentarei a relação cérebro, afetividade e aprendizagem, para despertar pais, educadores e cuidadores, sobre a importância da afetividade no processo de desenvolvimento cognitivo da criança.

A neurociência, as emoções, a aprendizagem e o cérebro, estão intrinsecamente ligados na dinâmica de aprender e a maneira como o cérebro replica as incitações ensinadas, produzidas no momento da explanação de um determinado conhecimento ou ação.

Pesquisas realizadas sobre o funcionamento cerebral em relação às aprendizagens, afirmam que, a sujeição às circunstâncias favoráveis e estímulo:

  • fomenta o saber;
  • consolida a acomodação do conhecimento;
  • cristaliza a assimilação; e
  • desencadeia outras reações.

Para a eficiente funcionalidade do cérebro e assimilação do conhecimento, se faz necessário oferecer a criança um ambiente sereno, propício à explanação de ideias e discussões consideráveis, saudáveis e amistosas; e principalmente, viabilizar a ela a possibilidade de conhecer e descobrir o novo, para a estruturação e promoção de mudanças necessárias. Afinal, o cérebro quando estimulado, movimenta inúmeras áreas do córtex cerebral, beneficiando assim o processo de aprendizagem em uma etapa que antecede.

Como o cérebro o atende prontamente e eficientemente aos estímulos visuais, auditivos, articulações e expressões, ele induz as crianças a perceberem, reproduzirem ou criarem uma ideia. Quando a criança alcança êxito por meio de seu protagonismo (experiência própria), o cérebro dela produz a substância chamada dopamina (um hormônio que promove bem estar e exultação por atuarem) que favorece a consolidação do conhecimento.

De acordo com a neurociência, o cérebro sempre reagi aos diferentes estímulos comportamentais e sociais observados inerentes ao meio que integra. As conexões neurais e sinapses cerebrais que ocorrem no cérebro produzem respostas, então ele por sua vez adapta, conecta e trabalha estas respostas positivamente ou não.

Aplicar uma emoção positiva e terna aliado aos estímulos, além de tonificar a interação, consolidar a satisfação, firmar a segurança e criar ou intensificar elos, estimula a curiosidade e instiga o aprendiz a um envolvimento mais profundo com o agente educador e o aprender.  Se o agente educador gritar, os alunos gritam; se alegrar, assim respondem; se cultivar a comunicação, promove a segurança; e se nutrir palavras de autoafirmação, fertiliza a autoconfiança. Desta forma o cérebro registra estes momentos, descontrói as crenças paralisantes e as substitui por aquelas sensações mais convenientes e motivadoras.

Para cultivar o afeto, fortalecer as bases cognitivas de seu(a) filho(a)e ajudá-lo a se desenvolver plenamente, seguem algumas dicas simples, especiais e eficientes, que podem desde já serem aplicadas no dia a dia:

– Incentive-o e conceda-lhe apoio prático. JUNTOS, crie um momento e ambiente só de vocês em sua casa e fora dela e deixe a criatividade e conexão rolar. Respeite suas descobertas e subjetividade (particularidade). Crianças , bem como qualquer ser humano, foram criadas para se relacionar e interagir. Incentive-o participando ativamente com qualidade de tempo.

– Dialogue. Não subestime uma criança. Eles sabem e aprendem fácil o que ouvem e vêm. Compreendem perfeitamente uma linguagem corporal e facial. Converse com serenidade; ouça-o atentamente; firmem combinados; o persuada quanto à verdade de que ele sempre pode contar contigo. O assegure que, se errou, ele deverá arcar com as consequências, se retratar e se esforçar para fazer diferente na próxima vez. Se o agrediu verbalmente ou fala em tom ríspido e contínuo, faça o mesmo. Peça desculpa e reveja sua conduta. Criança reproduz o que vê e o cérebro experencia este tipo de vivência como uma dor física. Isto também gera muitos danos.

– Regue a autoestima da criança. Ao invés de criticá-lo, ainda que estejam sozinhos (dirá diante de qualquer outra pessoa), saliente seus atributos antes de ponderar algo que não foi conveniente. O conduza com amor e paciência a certificação de quem ele é: um filho(a) amado(a). Cultive valores e forças de caráter. Comparações? JAMAIS! Somos únicos. Não projete nada e ninguém em seu(a) filho(a). Não estimule acreditar que ele deve ser igual a terceiros. Tão pouco o repreenda por sua negligência de se envolver pouco em aprender como ser pai, mãe, professor ou cuidador. Lembre-se, ele é um aprendiz e está no processo, bem como vocês até hoje e sempre!

– Ame de forma não verbal. Abrace, acarinhe o cabelo, alise as costas, dê a mão, olhe no olho, dê ouvido com toda atenção, exerça o autocontrole em situações extremas. Crianças, sujeitas a interferência da não afetividade em seu ambiente familiar, são prejudicadas na formação de seu circuito neural.

– Desintoxique o lar: Um ambiente influenciador de troca afetiva e alegre, motiva relações, auxilia o desenvolvimento humano e seu raciocínio, renova energias, possibilita modificações de atuações, estimula um desenvolvimento gradual e seguro, e propeli o indivíduo a amadurecer sadio emocionalmente. A emoção auxilia o raciocínio.

O engajamento da afetividade perpassa as limitações teóricas. Antes exigi uma profunda responsabilidade, comprometimento, consciência e intervenção de seus responsáveis (tutores e escola) para o pleno desenvolvimento no processo de desenvolvimento cognitivo da criança. Dispor-lhe deste amparo, significa consideravelmente edificar bases fundamentais e estáveis para a promoção da formação, do equilíbrio e do progresso substancial e sólido; pautado na pedagogia de virtudes e nos pilares do crescimento integral (neurológico, psicológico, fisiológico, cognitivo, espiritual, biológico e social). Reflita e haja! Seu filho tem um futuro excepcional pela frente!

 

”As reações emocionais exercem influência essencial e absoluta em todas as formas de nosso comportamento e em todos os momentos do processo educativo. Se quisermos que os alunos recordem melhor ou exercitem mais seu pensamento, devemos fazer com que essas atividades sejam emocionalmente estimuladas. A experiência e a pesquisa tem demonstrado que um fato impregnado de emoção é recordado de forma mais sólida, firme e prolongada que um feito indiferente”. Vygotsky (2003, p.121)

 

 

 

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